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  22:09

Tatiana Medeiros é condenada a quase 20 anos de prisão e perde mandato como vereadora

 Tatiana Medeiros, vereadora de Teresina pelo PSB — Foto: Reprodução/Instagram

A vereadora de Teresina Tatiana Teixeira Medeiros (PSB) foi condenada, nesta segunda-feira (27), a 19 anos, 10 meses e sete dias de prisão pelos crimes organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato-desvio, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. Ela está presa desde abril de 2025, acusada de liderar um esquema de compra de votos nas eleições de 2024.

A Justiça Eleitoral decretou também a perda do mandato eletivo da parlamentar e a proibição do exercício de cargos ou funções públicas de qualquer natureza. Ao g1, a defesa da vereadora afirmou que a sentença é "absolutamente injusta" e que irá recorrer.

Procurada, a Câmara Municipal informou que não foi oficialmente notificada sobre a decisão e não irá se pronunciar.

Além de Tatiana Medeiros, foram condenadas mais sete pessoas, incluindo o namorado e familiares da parlamentar. A sentença indica que Tatiana era responsável por dar ordens ao grupo, distribuindo funções e estabelecendo critérios.        

Durante a investigação, arquivos encontrados nos celulares dos investigados contribuíram para a identificação de práticas como a compra de votos. Segundo a Justiça Eleitoral, mensagens com a exigência de comprovantes de votação e listas por zona e seção com anotações “pago/PIX/ok” foram apresentadas com prova.

Tatiana Medeiros efetuou movimentações bancárias de que somam mais de R$ 2,1 milhões entre 2022 e 2024, segundo a Justiça Eleitoral. Mas declarou renda formal de pouco mais de R$ 33 mil no mesmo período.

"A análise fiscal apontou, de forma convergente, a existência de créditos não declarados pela investigada [...] Um incremento de créditos superior a 300% justamente no ano eleitoral, resultando em mais de R$ 1 milhão em créditos desprovidos de lastro documental", diz trecho da decisão.

A investigação concluiu ainda que o Instituto Vamos Juntos, que prestava serviço a comunidades carentes e recebia recursos de origem pública, foi utilizado como fachada eleitoral. No local, famílias supostamente beneficiárias eram recrutadas a votar em favor da candidatura de Tatiana.

Foram condenados

  • Tatiana Teixeira Medeiros (vereadora de Teresina pelo PSB): organização criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica eleitoral, peculato e lavagem de dinheiro.
  • Alandilson Cardoso Passos (namorado da vereadora): condenado a 16 anos, 8 meses e 11 dias de prisão por organização criminosa, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, agiotagem e lavagem de dinheiro;
  • Stênio Ferreira Santos (padrasto da vereadora): condenado a 13 anos, 11 meses e 26 dias de prisão por organização criminosa, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, peculato-desvio, apropriação indébita, agiotagem e lavagem de dinheiro;
  • Maria Odélia de Aguiar Medeiros (mãe da vereadora): condenada a 14 anos, 2 meses e 5 dias de prisão por organização criminosa, corrupção eleitoral, apropriação indébita e lavagem de dinheiro;
  • Emanuelly Pinho de Melo (assessora da vereadora): condenada a 7 anos, 9 meses e 26 dias de prisão por organização criminosa e corrupção eleitoral;
  • Bianca dos Santos Teixeira Medeiros (irmã da vereadora): condenada a 7 anos, 9 meses e 26 dias de prisão por organização criminosa e corrupção eleitoral;
  • Bruna Raquel Lima Sousa (funcionária da ONG Vamos Juntos): condenada a 6 anos, 11 meses e 30 dias de prisão por organização criminosa e corrupção eleitoral;
  • Sávio de Carvalho França (funcionário da ONG Vamos Juntos): condenado a 9 anos, 5 meses e 27 dias de prisão por organização criminosa e corrupção eleitoral.

Os sentenciados devem ainda pagar de multa no valor mínimo de R$ 1 milhão, por reparação de danos. Todos são responsáveis juntos pelo pagamento.

Tatiana e o namorado Alandilson estão presos desde 3 de abril de 2025, ou seja, há 1 ano e 24 dias. O período será contabilizado como dias de pena cumprida.

Lucas de Carvalho Dias Sena, cunhado da vereadora, foi absolvido das acusações de organização criminosa e corrupção eleitoral, por ausência de provas suficientes da autoria.

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Fonte: G1

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